segunda-feira, 28 de abril de 2008

Aos amigos de Infância

Quando era menor, eu e meu irmãao, nos arrastavamos no chão dos becos do quintal que nem calçado era, e naquele barro vermelho de Brasília, éramos fuzileiros, inimigos de guerra, que paravam pra jantar juntos e depois, iam novamente a guerra pra morrer e pra matar. Quando era menor, eu e meu irmão, andávamos na chuva pelas ruas, como se não tivessemos percebido que estava chovendo e caminhavamos livres, limpos e nos divertiamos muito com isso. Quando era menor, era um fiel Dom Corleone e se algumém mechesse comigo ou com meu irmão, iríamos tramar planos de tortura, coisas que nunca poríamos em prática, mas nos deixava realmente furiosos saber que o outro, poderia ser magoado por alguém...Meu Irmão Hallan, minha base, meu mestre, meu cumplice, minha metade nessa vida, Irmãao amado, querido. Sérginho e sua loucura por música, tanta que fizemos uma banda, que nunca chegou a tocar em lugar nenhum, por que o som era terrível. Anderson, na busca de ser aceito, de ser amado. Nunca soube se ele consegiu! Mas nóss o respeitávamos, o amávamos. Era nosso amigo, ora essa! Nosso parceiro! Ele fazia parte do grupo e faz ainda hoje parte da história. Rafael Júnior, o garoto que buscava os sorrisos, por que ele sorria muito, e era prestátivo. Não digo isso por que ele tenha partido, mas por que era. Não se tornou um herói, sempre foi. Um bom amigo, de meias coloridas e humildade ímpar. As vezes o cara mais chato que podia existir. mas um fiel amigo. Talvez por isso ainda hoje, eu demore a crêr, que ele partiu. Alex, meu irmão querido, matador de aulas comigo, fugiamos e irmos receber leite de soja dado aos pobres, pégavamos a fila... e iamos assistir ao jogo de handbol das meninas mais lindas da L Norte, no Paradão, outras vezes, quando não tinha jogo, diziaamos pra mãe dele que era greve e ela nos servia o café. Daniel, o CDF qque me aajudava e fazia bolos... meu confidente por tantos anos, juntos ele, Raquel e eu, formávamos um trio inseparável. As 6 e meia da manhã na padaria da tia, uma reuniao, onde eu e a Raquel fumavamos um cigarro e depois os 3 comiamos salgadinhos. No intervalo das aulas, a parada pro pastel de vento com pimenta que a cantina da escola tinha, e que nunca mais encontri nada, com gosto tão bom... de uma amizade de ambos Dani e Kél, que hoje ainda perdura! Mas me consola saber que um dia, essa turma que se reunia em esquinas e na escola, pra sonhar com as meninas da 8ª "A" , (é preciso dizer que era a turma que tinha as meninas mais lindas da escola em 1998). Saudades de tudo que fomos. Quando eu era menor, eu não trabalhava nem tinha dinheiro, e as vezes andava quilometros pra nada. Só pra andar, entrar em trilhas e matos e não encontrar nada com eles, mas era nossa vida assim, amigos de calçada, de conversas imensas sobre letras de músicas e filósofos mortos. O conhaque que descobrimos com algum tempo e que se tornou um amigo fiel nas conversas de calçada. Permanecemos intactos, e aquele "eu", permanece em mim, na minha formação, em quem sou, ainda gosto do conhaque, dos filósofos que não conheci, de destrinchar as letras de MPB que ouço no rádio, mas a distância me faz, fazer isso só. E meus grandes amigos de infância, permanecem comigo, entre um passo e outro, nos telefonemas de Natal. É só um texto nostálgico, pra me lembrar de como foi que eu cheguei aqui, de como aquela neblina as 6 da manhã me fazia bem, pra me lembrar de quem fui, pra saber quem sou