terça-feira, 6 de março de 2012

2.




Se foram seus olhos? Mas é claro que sim...

Da primeira vez que me dei conta de que você existia, é lógico que fiquei parado olhando pro verde dos seus olhos minutos que mais pareceram horas. Abria uma a uma as fotos do seu álbum e cuidadosamente eu tentava adivinhar como seriam seus pensamentos.
E de primeira tive uma impressão meio blasé de você.
Como se eu devesse manter distância pra não parecer um idiota com mais uma cantada sobre seu olhar encantador e a vontade desmedida de te conhecer a fundo, no fundo e coisa e tal.
E você veio com uma placa de aviso do tipo 'não perturbe', eu sei lá por que, respeitei o aviso e te deixei em paz.
Nenhuma cantada barata típica de mim, nenhuma ligação com convites baratos e coisas do tipo. Com você eu nunca me atrevi ao trivial, pra você eu mesmo sem entender, sempre quis o melhor.
Mas a vida, irônica ou sei lá o que, veio te trazendo na correnteza sem a gente nem perceber que se arrastava pra perto um do outro, um jeito bonito de gostar, se admirando, se escutando, se fazendo companhia.
E sua voz foi começando a entrar na minha cabeça hora aqui, hora aculá e de repente eu me encontrei te contando meu dia, meus planos, meus sonhos, meus medos, te falando de mim de uma forma tão a vontade, tão expontanea, que a impressão que eu sempre tive, desde o primeiro telefonema é de que eu nunca ia precisar te impressionar, bastava ser eu mesmo, com meu repertório variado, minhas piadas sobre porcos espinhos e meus sonhos de Polinésia. Você estava lá, de alguma forma esteve comigo desde o primeiro instante em que a gente se soube e nunca mais foi embora.
E você foi fazendo a diferença, me enchendo de música... e eu não falo só das que você canta no meu ouvido quando eu insisto (só pra saber que você é capaz de ignorar sua timidez e cantar pra mim). Atender ao meu pedido que nem é tão absurdo assim, já que sempre que você canta é um acontecimento lindo. E você foi demarcando seu espaço e fazendo com que tudo antes de você parecesse tão pouco, tão menos.
Você não é exagero, o exagero deixe comigo!
Você é medida certa. É 'pés enfincados no chão' como você mesmo diz. E me coloca no eixo, faz minha vontade de mudar encontrar motivo, não só meus motivos, por que esses eu já tenho, mas motivos pra segurar na mão de alguém, pra acreditar que eu posso sim cuidar de mim, cuidar de nós...
E quando a gente reza junto, pra mim, não é só um rito antes de dormir. É uma forma de querer que Deus também,como eu, veja a gente juntos e nos abençoe.
Eu acredito tanto nas suas capacidades, na sua inteligência, na sua força (por que eu sei que você é forte), que eu só penso que eu preciso ser melhor todo dia que é pra te acompanhar, que é pra gente não se perder.
Cronologicamente? Faz pouco tempo sim, afinal, que são dois meses?
Pra mim?
Tempo suficiente pra gente não conseguir ficar sem o outro, suficiente pra não ter mais medo, tempo pra acreditar sem duvidar um minuto de você.
Sabe menina, confio em você!
Nas suas verdades nem sempre tão doces, mas sempre verdades.
Tempo suficiente pra saber que eu quero tentar como eu nunca tentei antes.
Pra nós dois eu só tenho em mente o melhor, e é isso que eu to buscando.
Enquanto isso, encaixa a lombar na minha barriga que nem sei se é assim 'o encaixe perfeito' e me deixa cheirar tua nuca antes de pegar no sono de vez, me deixa segurar tua mão enquanto a gente dorme, deixa eu te ver, te olhar, descobrir você, te descobrir.
Deixa eu gostar de você exatamente como você é, mesmo você mudando de humor em 3 minutos e eu não entendendo muito bem, manda eu ficar 'bem quietinho aí por favor' que eu te abraço e fico.
Andamos derrubando muros não é?
Agora, corre comigo, vem brincar!
Será que você entendeu moça?
Entendeu que eu não vou te deixar?
Eu não vou.