
Quando eu vi a Brenda, entrando no ônibus, eu percebi do que realmente se trata afinidade.
Apesar de ter tanta vontade de abraçar ela, eu sentia como se nem um dia tivesse passado.
Todos os dias atrás desses, haviam sido de alguma forma apagados.
A angustia tinha passado e ela estava comigo agora.
Quando ela falava, quando eu olhava pra ela, eu tinha tanta sede daquela voz, daquele riso, e eu estava lá me embriagando nele outra vez.
Aquelas idéias que só ela poderia ter, cheias de observações óbvias, mas que só ela parecia observar.
Brenda tem os olhos que o mundo perdeu. E que quem dera, pudesse recuperar; uma maturidade escondida, por trás de brincadeiras tão inocentes, quanto as que meu filho tem.
Só ela tinha o dom de escutar e compreender entre nós.
Nós outros, o fazíamos por que já éramos crescidos e precisávamos ver a vida, de forma correta e ética.
Mas ela não, ela o fazia, por que o fazia, mal sabiam eles, que apesar de eu parecer o mais sentimental era nela que eu espelhava tudo que queria aprender sobre o amor.
É nela que vejo a maior capacidade de amar de forma completa.
E ela amava, todos a sua volta de forma grandiosa e sublime.
E tanto tempo depois a admiração continua aqui, intacta.
(Trecho do livro 'O Bando')