quinta-feira, 7 de julho de 2011

200km por hora.




E eu estava lá, desacreditando o descaso que eu pensei, não por amor, nem por amizade, nem por nada de muito maior, talvez só por educação que fosse, mas que nunca, nunca viria de você.

Uma vez você dormiu no meu ombro, foi só uma vez, com cólica e é claro que você não se lembra. Mas eu ainda me lembro exatamente de como teu cabelo tava cheiroso, mesmo com você colocando todos os defeitos do mundo nele.
E relativamente isso faz muito mais tempo do que de fato faz, por que a ponte que foi se construindo é enorme e tem se tornado cada vez mais dificil atravessar ela.

Antes eu via vários motivos pra me jogar na tua frente e te pedir encarecidamente:
- Por favor, aceita um convite meu! pode ser como vc quiser, pode ser o que vc quiser, quando vc quiser, eu tô aqui!
Mas você me mandou embora faz tanto tempo, que não faz sentido continuar em pé na tua calçada.

Minha primeira vez lá, em pé, nem precisei chamar... o sapo pindurado denunciava que aquela era sua janela, em 3 segundos você deu uma olhada rápida e quando eu pensei que você estava descendo, seu perfume já estava lá, me recebendo de braços e sorriso aberto.

Mas em tanto e em tão pouco tempo, tua janela subiu pro nono andar e eu não consigo mais te ver olhando tão de baixo, e as vezes eu até tento gritar ou tocar teu interfone, mas você se ocupou de tantos sonhos que não sobrou tempo pra quem é de verdade.

Eu quis cuidar de você e achei um charme você querer comer mais frutas, quando teve gripe, cólica, tpm e todas as doenças que gostam de te pegar de surpresa.


Eu sou mesmo assim, cuidadoso, sei que é dificil acreditar.
E eu não gosto de todo mundo como pareço, eu escolho bem.
Mas se eu vou falar com as pessoas, eu as vezes minto, exagero, encho a bola de todo mundo,
não me custa elogiar, elogios são sempre bem recebidos.
Mas tudo que eu disse de vc, foi sempre tão cuidadosamente escolhido, adjetivos só seus.

E justamente por isso, por saber que sempre que eu escrever lirico, você vai ler drama é que eu vim me despedir.
Existem ciclos que se encerram sem que a gente precise fazer nada, a vida por ela mesmo, toma os rumos e da as novas rotas, outras vezes a gente precisa tomar as rédeas da coisa e dar direção quando as coisas parecem avariar.


'uma espécie de avião em queda que a gente sabe que vai se estabilizar,
só não se sabe se vai ser antes ou depois de se chocar contra o solo
e eu bati a 200km por hora e eu estou voltando pra casa a pé'.

Eu não estou zangado, nem tentando sacudir nada, nem quero chamar sua atenção,
estar disponivel pra você nunca foi uma condição, eu sempre optei por isso, algumas pessoas desistem, eu só estou abrindo mão.
E não é porque você não possa ir um dia ou outro, mas na verdade por que vc nunca fez questão nenhuma de participar.
Eu só não vejo é mais motivo mesmo pra continuar sendo nada, já que nada a gente sempre foi.
Eu não quero mais esperar você chegar em lugar nenhum, nem dia nenhum, nem te procurar, nem nada.
E se é pra te cumprimentar, então, pode ser assim.


Um comentário:

Muri Branco disse...

Que coisa mais linda, Crys.
Me deu até saudades do tempo em que eu sabia escrever...